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Hipoclorito de Sódio no combate à COVID-19

30/5/2020
blog usiquimica HIPOCLORITO DE SODIO

O hipoclorito de sódio (NaClO) foi desenvolvido pelo químico francês Claude-Louis Berthollet, que trabalhava no distrito de Javel, em Paris – água de Javel, ou eau de Javel era o nome daquela solução então obtida pelo borbulhamento de cloro (Cl2) e solução de carbonato de sódio (Na2CO3). O objetivo do trabalho de Berthollet era obter um alvejante químico. Até então, o branqueamento de tecidos era feito pela exposição dos tecidos ao sol por muito tempo. Era comum a utilização de sabão, leite azedo ou manteiga nos tecidos nesse processo. A água de Javel’ de Berthollet tornou o processo mais simples e rápido.

 

 

No final do século XIX, o hipoclorito já era produzido a partir do processo cloro-soda patenteado por E. S. Smith: uma solução de salmoura (NaCl) é submetida a eletrólise, formando gás cloro no ânodo e hidrogênio (H2) e soda cáustica (NaOH) no cátodo. O hipoclorito de sódio é obtido então pelo borbulhamento do cloro em soda cáustica.

 

 

No início do século XX, passou a ser comum o uso de “Eusol” para a desinfecção de ambientes hospitalares. O nome vem de E(dinburgh) U(niversity) sol(ution), em referência ao departamento de patologia daquela universidade, onde foi desenvolvido.

O “Eusol” era uma mistura de hidróxido de cálcio (Ca(OH)2) cloretado e ácido bórico (H3BO3). Estavam então consagrados os dois principais usos do hipoclorito de sódio – alvejante e desinfetante. Tanto o uso como alvejante quanto o uso como desinfetante advêm do fato de o hipoclorito de sódio ser um forte agente oxidante. 

 

 

O alvejante caseiro a base de hipoclorito de sódio, ou água sanitária, é em geral uma solução contendo de 3 a 8% em massa de hipoclorito de sódio, e 0,01-0,05% de hidróxido de sódio, este usado para retardar a decomposição do hipoclorito de sódio em cloreto e clorato de sódio (NaClO3).

 

 

Seus usos como alvejante, agente de limpeza e desodorante são devido à oxidação e à saponificação. Sujeira orgânica exposta ao hipoclorito se torna solúvel em água e menos volátil, o que reduz o odor e facilita a remoção.

 

 

O hipoclorito de sódio em solução aquosa é um agente biocida de amplo espectro. Solução forte de hipoclorito de concentração 0,5% (ou 5000 ppm de cloro ativo), que pode ser obtida pela diluição de uma parte de água sanitária em 9 partes de água, é usada na desinfecção de áreas contendo fluidos corporais como sangue. Tal solução demonstrou ser efetiva na inativação de bactérias do gênero Clostridium, causadoras de diarreias, e HPV, o vírus do herpes. Solução de 200 ppm de hipoclorito de sódio (uma colher de sopa de água sanitária em 4 litros de água) pode ser usada na desinfecção de equipamentos industriais de processamento de alimentos.

 

 

Com a emergência da pandemia de COVID-19, causada pelo vírus SARS-CoV-2, a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou um boletim orientando a limpeza e desinfecção de superfícies no contexto da COVID-19.

 

 

A OMS consolidou informações já conhecidas sobre o hipoclorito e fez recomendações específicas acerca da COVID-19. Segundo a OMS, o hipoclorito tem atividade antimicrobiana de amplo espectro e é efetiva contra diversos patógenos em diferentes concentrações. Soluções de 0,05% (500 ppm) são efetivas contra rotavirus, enquanto que soluções mais concentradas, 0,5% ou 5000 ppm, são necessárias para patógenos altamente resistentes como (o fungo) Candida auris e (a bactéria) Clostridium difficile. A recomendação de soluções de 0,1% (1000 ppm) no contexto da COVID-19 é uma concentração conservadora que inativará a grande maioria de outros patógenos que podem estar presentes no ambiente. Entretanto, para grandes derramamentos (mais de 10 mL) de sangue e fluidos corpóreos a concentração de 0,5% é a recomendada. 

 

 

Como o hipoclorito é rapidamente inativado na presença de material orgânico, a OMS recomenda que antes da sua utilização, independente da concentração da solução, as superfícies a serem desinfetadas devem ser lavadas com água e sabão ou detergente.

 

 

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Texto: Andre Bernardo - Professor da UFSCar